Setor de joias e acessórios investe em inovação, sustentabilidade e expansão internacional em 2026
Com investimentos milionários, uso de materiais reciclados e novas tecnologias, indústria joalheira amplia oportunidades de negócios. Empresas brasileiras também avançam no mercado externo, com projeções superiores a US$ 10 milhões em uma feira internacional.
A indústria de joias e acessórios atravessa um período de transformação, impulsionado pelo desenvolvimento de novas tecnologias, pela busca por processos produtivos mais sustentáveis e pela expansão das empresas para mercados internacionais. Em 2026, grandes fabricantes e marcas independentes intensificaram iniciativas para modernizar suas operações, conquistar consumidores e ampliar a competitividade.
O movimento ocorre tanto entre empresas globais, como a Pandora, quanto entre fabricantes brasileiros de joias, semijoias, bijuterias e pedras preciosas. Investimentos em materiais reciclados, rastreabilidade, design autoral e internacionalização passaram a ocupar posições importantes nas estratégias comerciais do setor.
Os resultados de eventos internacionais realizados ao longo do ano mostram o interesse de compradores estrangeiros pela produção brasileira, enquanto grandes companhias apresentam investimentos destinados a aumentar a capacidade industrial e reduzir os impactos ambientais.
Pandora investe US$ 150 milhões em nova fábrica de joias
Um dos principais exemplos de investimento industrial em 2026 veio da Pandora, fabricante dinamarquesa de joias com atuação em mais de 100 países.
Em 1º de outubro, a empresa anunciou a inauguração de uma unidade de produção na cidade de Ho Chi Minh, no Vietnã, resultado de um investimento de aproximadamente US$ 150 milhões.
Segundo informações divulgadas pela companhia, a instalação terá capacidade para fabricar até 60 milhões de peças anualmente, permitindo ampliar em 50% sua capacidade produtiva. A expectativa é gerar cerca de 7 mil empregos quando a unidade estiver plenamente operacional.
A fábrica utilizará eletricidade de fontes renováveis e prata e ouro reciclados na produção, integrando a estratégia ambiental da empresa.
O investimento acompanha a dimensão dos negócios da Pandora. Em 2025, a companhia registrou receita de 32,5 bilhões de coroas dinamarquesas, equivalente a aproximadamente 4,4 bilhões de euros, e comercializou cerca de 112 milhões de peças.
Os números demonstram a importância da modernização industrial para empresas que precisam atender à demanda internacional e manter padrões de qualidade.
Sustentabilidade ganha força com utilização de metais reciclados
A preocupação ambiental também vem transformando a maneira como as joias são fabricadas.
A mineração de metais preciosos envolve consumo de energia, utilização de recursos naturais e impactos sobre os ecossistemas. Nesse contexto, empresas buscam alternativas para reduzir a necessidade de extração de novas matérias-primas.
A Pandora informou que, desde agosto de 2024, passou a fabricar suas joias utilizando exclusivamente prata e ouro de origem reciclada. O ano de 2025 marcou o primeiro período completo de fabricação com esses materiais.
De acordo com estimativas divulgadas pela própria empresa, a substituição de metais recém-extraídos por reciclados permite evitar aproximadamente 58 mil toneladas de emissões de CO₂ equivalente por ano.
A companhia também informou ter reduzido suas emissões totais em 17% entre 2019 e 2025, período no qual sua receita cresceu 49%.
Esses resultados indicam que iniciativas ambientais podem acompanhar estratégias de crescimento, embora a avaliação completa da sustentabilidade dependa de fatores como consumo energético, origem dos materiais e condições de produção.
Diamantes produzidos em laboratório representam nova frente de inovação
Outra transformação importante está relacionada ao desenvolvimento de diamantes produzidos em laboratório.
A tecnologia permite criar pedras com propriedades químicas e físicas equivalentes às dos diamantes naturais, utilizando processos industriais controlados.
Em maio de 2026, a Pandora apresentou uma iniciativa para informar aos consumidores a pegada de carbono de seus diamantes laboratoriais.
Segundo estudo divulgado pela empresa, um diamante produzido em laboratório com um quilate apresenta uma pegada de carbono de aproximadamente 12,58 quilos de CO₂ equivalente até a etapa de acabamento, valor cerca de 90% inferior ao de uma alternativa extraída da natureza, conforme a metodologia de comparação adotada.
A companhia também ampliou suas coleções com diamantes laboratoriais para mercados como Espanha e Itália em junho de 2026.
Além da inovação nos materiais, a joalheria moderna utiliza softwares de modelagem tridimensional, equipamentos de precisão e ferramentas digitais que possibilitam o desenvolvimento de produtos com desenhos mais complexos.
Essas tecnologias podem contribuir para acelerar etapas de prototipagem, melhorar processos produtivos e ampliar as possibilidades de personalização.
Empresas brasileiras projetam US$ 10,58 milhões em negócios na Ásia
O Brasil também apresenta movimentações importantes no mercado internacional de joias, gemas e acessórios.
Dados divulgados pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em 16 de outubro de 2026, apontam resultados expressivos da participação brasileira na Jewellery & Gem World Hong Kong, realizada entre 14 e 18 de setembro.
A iniciativa reuniu 25 empresas brasileiras, que estabeleceram 886 contatos comerciais com compradores de 14 mercados internacionais.
Segundo a ApexBrasil, a participação gerou uma expectativa de US$ 4,23 milhões em negócios imediatos e projeção de US$ 10,58 milhões em oportunidades comerciais para os 12 meses seguintes.
Os valores representam expectativas de negócios informadas pelo projeto, e não receitas integralmente realizadas.
A ação foi organizada pelo Precious Brazil, iniciativa desenvolvida pelo Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM) em parceria com a ApexBrasil.
Entre os mercados alcançados estavam Estados Unidos, China, Índia, Japão, Alemanha, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido.
Os resultados demonstram a importância das feiras internacionais para conectar fabricantes brasileiros a compradores e distribuidores de diferentes regiões.
Marcas brasileiras também conquistam espaço na Europa
Além da participação em Hong Kong, empresas nacionais marcaram presença na Milano Fashion&Jewels, realizada na Itália em setembro de 2026.
De acordo com o Precious Brazil, 11 marcas brasileiras participaram do evento e realizaram mais de 200 contatos comerciais, incluindo aproximadamente 100 novos relacionamentos de negócios.
Durante a feira, foram contabilizados 50 negócios, além de uma estimativa de 100 mil euros em oportunidades comerciais para os 12 meses seguintes.
A participação brasileira incluiu empresas de joias, acessórios e biojoias, demonstrando a diversidade da produção nacional.
O design autoral, o trabalho artesanal e a utilização de materiais relacionados à biodiversidade brasileira estão entre os diferenciais explorados por marcas que buscam conquistar compradores internacionais.
Outra iniciativa é o projeto Joias da Amazônia, divulgado pelo Precious Brazil em julho de 2026, que associa design, sociobiodiversidade amazônica e protagonismo feminino na produção de biojoias.
Rastreabilidade do ouro e certificação ganham importância
A origem dos materiais utilizados na fabricação também passou a receber maior atenção da indústria joalheira.
Em agosto de 2026, o IBGM e o Sebrae Mato Grosso anunciaram um acordo de cooperação para fortalecer a rastreabilidade e a certificação do ouro.
A iniciativa prevê ações relacionadas à inovação, sustentabilidade, capacitação profissional e acesso a novos mercados.
A rastreabilidade permite acompanhar informações sobre a origem dos materiais, contribuindo para o controle da cadeia produtiva e para a adoção de práticas comerciais mais transparentes.
A medida ganha relevância diante das exigências de compradores internacionais e da necessidade de demonstrar conformidade ambiental e legal.
Para pequenas e médias empresas, iniciativas de capacitação e certificação podem representar oportunidades de melhorar seus processos e ampliar a competitividade.
Perspectivas para o mercado de joias e acessórios
O avanço das iniciativas empresariais indica que inovação e sustentabilidade continuarão influenciando o desenvolvimento da indústria de joias e acessórios.
Entre os principais desafios estão os custos das matérias-primas, a necessidade de qualificação profissional, as exigências regulatórias e a concorrência internacional.
Ao mesmo tempo, fabricantes que investem em diferenciação, qualidade, rastreabilidade e novas tecnologias podem encontrar oportunidades de crescimento em mercados especializados.
No Brasil, a participação em feiras internacionais e as iniciativas de promoção comercial mostram que existe espaço para ampliar a presença de empresas nacionais no exterior.
O desenvolvimento de coleções autorais, a valorização das pedras preciosas brasileiras e a utilização responsável de recursos naturais podem contribuir para o fortalecimento do setor.
Para os próximos anos, a competitividade da indústria joalheira deverá depender não apenas do valor dos materiais utilizados, mas também da capacidade de inovar, garantir transparência e construir relacionamentos comerciais duradouros.
